terça-feira, 24 de agosto de 2010

SALESIANIDADE: O SISTEMA PREVENTIVO NA EDUCAÇÃO DOS JOVENS

P. Antenor de Andrade Silva, sdb.

Como surgiu o SPS. A vida numa escola salesiana. Um modo de estar diferente na escola. O diretor salesiano. Os passeios. A grande preocupação das férias. As festas escolares, os teatros, os recreios. A boa noite, a palavrinha ao ouvido. Pedagogia preventiva, comunicação e ecologia. O professor salesiano e os coordenadores leigos. Recordações confidenciais aos Diretores (1863). Conclusão.

O Sistema Salesiano de Educação envolve todas as situações educativas e re-educativas. D. Bosco o realizou, não apenas no oratório, no internato, orfanato, colégio, escola, associação ou grupo, mas também em seus encontros particulares com jovens e em sua obra publicitária. Os destinatários são homens e mulheres de todas as idades, condições, comportamentos e classes sociais. A aplicação é possível tanto para a educação individual, personalizada, como para a educação de multidões.
A figura central do Sistema Preventivo Salesiano [SPS], também chamado Sistema Preventivo de D. Bosco é o próprio D. Bosco. Trata-se de uma metodologia pedagógica desenvolvida e atuada universalmente pela Congregação Salesiana. Fundamenta-se na experiência educativa do santo de Valdocco, por ele vivida no meio dos jovens de Turim.
D. Bosco não tolerava o sistema repressivo reinante na Europa do século XIX e ainda utilizado em alguns países. O método bosquiano de educar teve em sua origem na influência de alguns fenômenos visionários, os famosos “sonhos”. Alguns métodos pedagógicos se inspiraram no S. Preventivo Salesiano, hoje objeto de estudos em diversas universidades. Sinteticamente este Sistema orienta o educador a “prevenir” o educando para as dificuldades, os problemas que ele poderá enfrentar e o orienta para construir um futuro melhor para a vida.

«A dimensão preventiva está no fato de prever. Uma atitude responsável de prospecção em harmonia com a criação no sentido de um desenvolvimento persistente e eficaz de potenciar a vida futura. “O educando é capacitado a agir e a dar forma ao futuro na vivência de um presente antecipador».

• Como surgiu o Sistema Preventivo Salesiano

O SPS não foi forjado em um escritório, nem tampouco nasceu de uma literatura pedagógica. Se quisermos entendê-lo, devemos procura-lo na mesma pessoa de D. Bosco, em sua biografia. Assim veremos que o educador de Turim foi um dos expoentes mais destacados do seu século, também na prática pedagógica. Concluiremos que sua atuação teve grandes ressonâncias no desenvolvimento da pedagogia do século XX.
A convivência diária com os moços na Turim da segunda metade do século XIX deu ocasião à prática do SPS. Através do espírito de observação do jovem padre, de seu amor pelos jovens, de sua perspicácia e, sobretudo, como já notamos, o reconhecimento e a prática de certas orientações sobrenaturais o visionário inquieto a moldou e ofereceu aos educadores um modo diferente de tratar com os educandos e conduzi-los a uma vida melhor. Para ele sua proposta educacional iria oferecer uma resposta adequada às necessidades de suas pessoas e seu tempo.
Outras fontes, onde podemos conhecer os princípios do SPS, além das Memórias Biográficas de D. Bosco e da Carta de Roma são As Memórias do Oratório (de 1815 a 1855), onde são descritas entre outras informações as atividades pastorais e educativas realizadas naquele ambiente. Há também um pequeno escrito de muito valor intitulado O Sistema Preventivo na Educação da Juventude (1877).
Os historiadores concluem que D. Bosco não deixou um corpus metódico que nos oferecesse um estudo ordenado do SPS. Os salesianos teriam que arregaçar as mangas e realizarem esta tarefa.

O Sistema Repressivo substituído pelo SPS é descrito por ele mesmo nos Regulamentos para as Casas da Sociedade de São Francisco de Sales. A severidade do educador repressivo é criticada e rechaçada como algo que não se coaduna com a verdadeira educação. A ameaça, a distância, o castigo físico são armas constantes e normais do SR, ao contrário da razão, da religião e da familiaridade. Além disso, este sistema não garante uma real formação para a vida do educando.

«Pode impedir uma desordem, mas dificilmente melhorará os culpados. Diz a experiência que os jovens não esquecem os castigos recebidos, e geralmente conservam ressentimento acompanhado do desejo de sacudir o jugo e até de tirar vingança.» ...«O Sistema Preventivo pelo contrário, granjeia a amizade do menino que vê no assistente (educador) um benfeitor que o adverte, quer fazê-lo bom, livrá-lo de dissabores, castigos e desonra».

Na época em que D. Bosco escrevia os princípios do SPS, o SR era conhecido e aplicado como essencial na educação européia. Costumava-se dizer que a letra entra com sangue. Como já afirmamos em muitos lugares o SR continua adotado não só em países em desenvolvimento, mas também em sociedades do primeiro mundo. Em 2006 a BBC falava em 109 nações que haviam abolido os castigos físicos na escola. E os demais países?

• Um modo de estar diferente na escola

A pedagogia salesiana prega um modo de estar diferente na escola e no pátio, pois o ambiente salesiano com seus educadores deve ser uma casa que acolhe o jovem para fazê-lo feliz.
A dignidade, o respeito pelo educando, a dedicação obrigam o educador a uma constante reflexão sobre seu papel, sua missão, não só, mas sobre os conceitos do ensino e da educação. A educação segundo o SPS é uma viagem, uma aventura em que educador e educando embarcam juntos. De ambos vai depender o final feliz da formidável tarefa, mas, sobretudo do professor.
Nesta caminhada a assistência amiga, diaconal é um fator importante para a formação, para apoiar o jovem. Assim o educador com os jovens,

« em interação, treinam as competências emocionais, intelectuais, espirituais e práticas. Trata-se de cultivar o ser humano na sua totalidade num ambiente de desenvolvimento natural espontâneo e global. O pedagogo D. Bosco supera o pensar seletivo, causal e apelativo – moral. No centro de sua pedagogia está a pessoa, o jovem todo, aceito tal como ele é. Trata-se de acordar os seus talentos e despertá-los para a metamorfose. A educação não pode estar alheia à disciplina à persistência, à vontade e à autoconsciência Uma vez descobertos os talentos próprios trata-se de despertar alegria no que se faz. Trabalho e alegria andam juntos. D. Bosco convencia porque tinha uma vivência, uma visão de homem e de sociedade».

Note-se que D. Bosco com seu sistema não visava apenas o profissionalismo do educando, seu carreirismo, seu bem estar material ou sua segurança física. Essa lógica fomentaria prisioneiros do sistema, cujos cárceres em seu tempo abarrotados, continuam apresentando nos nossos dias os mesmos filmes. Por que as constantes irracionalidades, as violências, as insatisfações universais continuam acontecendo e o mundo desejando e precisando cada vez mais de paz? Creio que um dos motivos é um sistema de educação estático e sem criatividade que não ensina o homem a viver. Que não é capaz de levar o único animal racional a usar de sua racionalidade para seu bem, para uma família, cuja felicidade já poderia, em parte, ser experimentada abaixo dos céus.
As ideologias são o esconderijo da alienação. A realidade cede lugar às idéias, idéias e estratégias de adaptação e imitação, nem sempre positivas e construtivas.
O que os santos nos ensinam - e D. Bosco era um grande mestre nesse aspecto - , quando nos aconselham a “vivermos na presença de Deus”, é a nos acostumarmos a viver o momento presente, tornando-o criativo e gratificante. Seu sistema tentava incutir esta verdade nos jovens de seu Oratório.

«Na presença de Deus não há idéias nem normas, extingue-se o passado e o futuro, o agora é tudo, é acontecer para lá de qualquer estrutura, na relação total de qualquer orientação: o amor é ágape».

Ele queria, sobretudo a felicidade a realização pessoal dos jovens. Programas e notas não lhe interessavam tanto, não desenvolvem uma verdadeira personalidade, podendo criar robores que se adéquam a certos tipos de sociedades ou instituições. O aluno tem que se acostumar a refletir, a pensar, a conscientizar as razões de suas atitudes.

Um saber apenas funcionalista que vise tão somente o cultivo do intelecto torna-se unilateral, redutor, materialista. O jovem deve descobrir que há outros mundos além das simples cortinas do pensamento. Deus nos fez a sua imagem e semelhança com capacidades de galgarmos os degraus do infinito. O educador deve ajudar o aluno a ir além dos palcos do intelecto. Não alcançam por si sós as complexas e fantásticas realidades dos mundos exteriores e da introspecção. Podemos parafrasear a expressão paulina: vós sóis os templos de Deus... A escola deve levar à maravilhosa descoberta de que do encontro do mestre com o aluno se chega a Deus. Ela deverá ser este templo e os educadores seus sacerdotes. Possível? Tentemos.
O acontecer e o observar são mais importantes que o saber. Deste pode-se responder a um processo de responsabilidade global capaz de ver além das coisas e das ilusões. Nesta metánoia está um dos grandes papéis do educador que deve ser companheiro do educando, colocar-se ao seu lado. Presencia e presencializa com ele a sua resposta ao universo e à humanidade. Em ambos se encontram lado a lado criação e humanidade. Por isso é essencial a relação de simpatia, de amorevolezza com o jovem. No SPS os dois devem viver empaticamente. Não é suficientemente amar os jovens, eles têm que perceber este amor.

Neste processo a aprendizagem torna-se uma recreação, e acontecerá num ambiente de carinho e mútua confiança. Daí poderá nascer uma rica experiência espiritual e comum que o educador deve descobrir e carrear para o bem de seu discípulo. Neste particular e numa feliz observação, o professor Antônio da Cunha afirma:

«Educar torna-se a arte de aprender, de observar e viver a vida toda, ajudar a ser compreendido e a compreender, num despertar da consciência humana e do mundo. Educar é aprender a descobrir-se descobrindo, num processo dinâmico e contínuo de ipseidade-alteridade num triálogo eu-tu-nós, à imagem da fórmula da realidade trinitária».

SALESIANIDADE

1.- Distribuição dos Salesianos no mundo

1.1. Número de continentes, nações, presenças onde os salesianos trabalham.

Continentes Países Inspetorias Casas Outras presenças
5 131 98 1.859 138


1.2. Dados globais

Mundo Espanha
Salesianos 15.577 1.241
Bispos 117 1
Noviços 515 6
T O T A L 16.209 1.248


1.3. Por Regiões da Congregação

REGIÕES SALESIANOS NOVIÇOS
África – Madagascar 1271 93
América – Cone Sul 1659 63
Ásia Leste – Oceania 1258 58
Ásia Sul 2435 114
Europa Norte 2532 43
Europa Oeste 1637 6
Interamérica 2106 85
Itália – Oriente Médio 2531 22



1.4. As cinco primeiras nações por número de salesianos (só os professos).

NAÇÃO SALESIANOS
Itália 2731
Índia 2215
Espanha 1241
Polônia 1051
Brasil 773

SALESIANIDADE

O HUMANISMO SALESIANO

Pe. Antenor de Andrade.

A Carta da Missão no Capítulo II aborda o tema do humanismo salesiano. Desejamos neste trabalho desenvolver sinteticamente o assunto com o objetivo de apresentar mais um subsídio para leitura e reflexão dos formadores e demais membros da FS.

1. Significado de humanismo.
2. O humanismo salesiano. (Carta da Missão, n.9).
• Educar evangelizando e evangelizar educando;
• S. Francisco de Sales e o humanismo;
• Humanismo de S. F. de Sales e humanismo de D. Bosco.
3. O lugar da mulher no humanismo salesiano.
• Complementaridade e reciprocidade.

1. Significado de humanismo
O Humanismo tem várias denominações de acordo as determinadas posturas éticas de cada uma. Entre outros, citamos-se o humanismo religioso, o renascentista, o positivismo contiano (Augusto Conte), o secular, o logosófico ( em sua reflexão parte do ser pensante, sensível, enquanto que os demais baseiam-se em um conceito generalizado). No geral suas idéias são pouco católicas. Caracteriza-se em seus diversos sentidos por uma postura contrária ao apelo sobrenatural, a alguém superior ao homem que lhe venha ditar normas de vida. Os Iluministas do século XVIII deram-lhe uma conotação anti-clerical, até porque em seu modo de pensar inclui religiões ateístas.
O dicionário Webster define o Humanismo como «um moderno movimento racionalista ateísta, que sustenta que as pessoas são capazes de auto-iluminação, de uma conduta ética, sem nenhum recurso sobrenatural». O Aurélio vê o Humanismo como uma «Doutrina ou atitude que se situa expressamente numa perspectiva antropocêntrica, em domínios e níveis diversos, assumindo, com maior ou menos radicalismo, as conseqüências daí decorrentes».
2. O humanismo salesiano
* Educar evangelizando e evangelizar educando.
A missão apostólica do Salesiano/a tem duas grandes linhas que seguem paralelas baseadas:
a) Formar o bom cristão e o honesto cidadão.
b) Educar evangelizando e evangelizar educando.
Estas diretrizes, como sabemos, estão ancoradas no tripé: Razão, Religião e Amabilidade. Hoje a Família Salesiana continua vivendo em um mundo carente de educação e evangelização, de um diálogo existencial cada vez mais sufocado pelo transitório e atrativos mundanos, resultado da falta de fé e de amor. O apóstolo salesiano deve ser em toda parte, um portador de amor, já que o mundo carente continua sequiosamente mendigando migalhas de luzes e de amor no balcão da história. Na mística bosquiana ambos os termos evangelizar e educar se amalgamam num mesmo conteúdo semântico. Estes objetivos evangelização e educação, só conseguiremos com um humanismo que se baseie nas três características de nossa atuação apostólica (Razão, Religião, Amorevolezza).
Os documentos oficiais salesianos começaram a usar a palavra humanismo após o Vat. II (1962-1965). Paulo VI discursando no Ateneu Pontifício Salesiano de Roma, um ano depois do Conclave, observava que D. Bosco «soube oferecer-nos um incomparável exemplo de humanismo pedagógico e cristão».
Nosso santo Fundador usava frequentemente a palavra humanismo para definir o objetivo de sua missão na Igreja e na sociedade. Segundo sua perspectiva devemos acolher tudo que tenha referência ao integralmente humano. Quando nos dedicamos à formação de um bom cristão e um honesto cidadão, nada mais estamos fazendo do que reconhecermos e valorizarmos a pessoa humana. A Gaudium et Spes (contempla a Igreja no mundo contemporâneo), no Capítulo sobre a dignidade da pessoa humana nos lembra que «Tudo que existe sobre a terra deve ser ordenado em função do homem, como seu centro e seu termo: neste ponto existe um acordo quase geral entre crentes e não crentes».
O homem a criatura mais perfeita do Universo criado por Deus à sua imagem e semelhança é centro e ápice do Cosmo. O educador salesiano integrante dos diversos grupos da família salesiana deve ter presente esta realidade extraordinária: imagem e semelhança de Deus. O numero 09 da Carta da Missão lembra ainda outras realidades quotidianas que o humanismo salesiano deve ter presentes e devem ser defendidas (trabalho, cultura, amizade, compromisso civil, honestidade moral...).
Um pensamento lembrado constantemente no coração e na mente do apóstolo bosquiano é de que Deus nos colocou no mundo não para nós, mas para ou outros. A FS em articular foi colocada no mundo para os jovens. O novo humanismo nascido da sensibilidade e do grande coração de D. Bosco é bem recebido pela juventude, até porque é uma novidade para suas vidas. O fundador do Oratório de Valdocco não quis ser um padre carrancudo que não saudasse nem se aproximasse dos jovens. Nosso CG XXIII (1990) diz que
« a consciência juvenil recebe, de forma espontânea, o “novo humanismo” e os seus valores: o sentido da liberdade, a absoluta dignidade da pessoa, o sentido do próprio projeto de vida, a necessidade de autenticidade e de autonomia. Estas são instâncias que se abrem ao Evangelho».
O CG entendia com esta declaração que o Humanismo não deve enclausurar a pessoa humana em si mesma, mas que a assume como fim, juntamente com seu desenvolvimento. Assim entendido o humanismo salesiano torna-se bem distante do antigo humanismo, paganizado que pontificou durante o Renascimento, nos séculos XV e XVI, eivados da cultura importada de Grécia e Roma.
* São Francisco de Sales e o humanismo.
Este santo, admirado, venerado e imitado por D. Bosco, vivenciou o que hoje se costuma chamar de humanismo devoto, expressão criada em 1916 por Henri Bremond. Um humanismo que estará sempre ao lado de nossa natureza, acreditando na bondade e capacidade de conversão da pessoa humana. O apostolado do santo da Sabóia foi calcado nestas premissas. Por isso foi tão querido e realizou tantas conversões no meio dos protestantes do Chablai.
«O humanismo cristão (diríamos o humanismo salesiano) variante do humanismo devoto prefere insistir sobre a Redenção que elevou a natureza, antes que sobre o pecado original que a viciou».
A criatura humana, embora vulnerada e intimamente, com tendências a se rebelar contra seu Criador, não obstante é acolhida e exaltada por S. Francisco de Sales. Ele acredita na pessoa pois ela conservou felizmente a “santa inclinação de amar a Deus sobre todas as coisas”.
* Humanismo de S. Francisco de Sales e humanismo de D. Bosco
O humanismo salesiano não pode abandonar a caridade, a amorevolezza. O mundo salesiano passou no final do século passado a falar destes dois humanismos, o de F. de Sales e o de D. Bosco. Pe. Joseph Aubry escrevia em um de seus trabalhos sobre a ação da F. Salesiana:
«Antes de ser ação o apostolado é relação pessoal animada pela caridade e qualquer atividade que não esteja impregnada pelo amor no final fracassará. Esta convicção levou tanto S. Francisco de Sales como D. Bosco a uma série de comportamentos tipicamente “salesianos”. Antes de tudo é o que chamamos o seu humanismo e o seu otimismo, a sua confiança radical na pessoa e nas suas capacidades naturais e sobrenaturais. Um e outro, finos conhecedores do ser humano exaltaram os valores e as virtudes, “humanas”, deram um espaço a amizade, a alegria, à cultura, ao esforço para o progresso. Acreditaram profundamente na utilidade e no valor da ação. Convencidos de que toda pessoa é educável apelaram sobretudo às suas forças interiores, à sua inteligência, à sua liberdade, ao seu coração, à sua fé [...] na paciência que sabe atender, esperar e recomeçar».
A Carta de Comunhão nos lembra ao falar sobre o humanismo de F. de Sales que
«como Família de D. Bosco nos inserimos na maior corrente salesiana do humanismo, oferecendo à Igreja uma contribuição de originalidade no campo educativo como no trabalho pastoral. Para D. Bosco humanismo salesiano significa valorização de todo o positivo presente e radicado na vida das pessoas, nas coisas, na história. Essa inspiração humanística salesiana leva-o a captar os valores do mundo, especialmente se agradáveis aos jovens; a inserir-se no fluxo da cultura e do desenvolvimento humano do próprio tempo, estimulando o bem e não se contentando com gemer os males; a procurar a cooperação de muitos, convencido de que cada um tem um dom próprio, evidente ou por descobrir; a acreditar na força da educação que anima e sustenta a mudança e o crescimento do jovem para ser honesto cidadão e bom cristão; a confiar-se sem titubeio à providência de Deus, percebido e amado como Pai».

3. O lugar da mulher no humanismo salesiano
• Complementaridade e reciprocidade
Até à década de 1970 era tabu a presença de alunas em nossas escolas. Muitas discussões, temores, adaptações edilícias para enfim, termos em nossas salas de aulas alunos e alunas uns ao lado dos outros. O tempo e as concepções conduziam àquela práxis.
Foram os últimos 25 anos do século XX, sobretudo com a presença do feminismo avançando cada vez mais que conduziram os Salesianos e de modo especial as Salesianas a refletirem sobre a presença e o valor do mundo feminino. O despertar para essa realidade não significou, porém que a mulher antes não fizesse parte do humanismo salesiano, que sempre acolheu e valorizou «todo o positivo presente e radicado na vida das pessoas», como já vimos anteriormente.
O universo feminino, sua valorização e especificidade passou a ser tratado com mais atenção, após o reitorado do Pe. Luiz Ricceri (1965-1977), possivelmente influenciado pelos novos ventos do Vat. II. Derramaut assinala que até ao final do governo de Pe. Ricceri «os índices das Cartas circulares dos superiores maiores salesianos desconheciam a palavra mulher».
O Sínodo romano dos Bispos, de1980, (Pe. Egígio Viganò era o Reitor Mor) sobre a família cristã trouxe para os SDB uma nova concepção a respeito da mulher.
« O problema feminino interessa a toda cultura humana. Nossa civilização científica e técnica é uma civilização unilateral “machista”. A mulher possui uma capacidade particular de humanizar e personalizar os relacionamentos e melhorá-los. Por este motivo ela é portadora de esperança na Igreja e na sociedade».
A liberação e valorização social da mulher não significa sua masculinização, sua colocação ao nível do homem. As propostas do Sínodo episcopal de 1980 estavam bem longe desse entendimento, embora fossem bem concretas. Trata-se antes de tudo do desenvolvimento e maturação de seu ser de mulher, de sua feminilidade.
João Paulo II escreveu uma importante carta ( Mulieres dignitatem - 1988) sobre a dignidade e vocação da mulher. Ali encontramos belas páginas de encorajamento e incentivo sobre este novo sinal dos tempos voltado para a companheira colaboradora do homem. Assim começa o documento:
«A dignidade da mulher e sua e a sua vocação — objeto constante de reflexão humana e cristã — têm assumido, em anos recentes, um relevo todo especial. Isso é demonstrado, entre outras coisas, pelas intervenções do Magistério da Igreja, refletidas nos vários documentos do Concílio Vaticano II, que afirma em sua Mensagem final: “Mas a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude, a hora em que a mulher adquire no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançados até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas pelo espírito do Evangelho podem ajudar muito para que a humanidade não decaia”. As palavras desta Mensagem retomam o que já fora expresso no Magistério conciliar, especialmente na Constituição pastoral Gaudium et Spes e no Decreto sobre o apostolado dos leigos, Apostolicam Actuositatem».

O assunto foi retomado diversas vezes pelos Salesianos, direcionado de modo especial à mulher religiosa. Na época da preparação do Sínodo episcopal sobre a Vida Consagrada (1994) o tema foi também abordado de forma relevante.
Uma nova mentalidade foi então se desenvolvendo entre os religiosos bosquianos com um empenho e uma reflexão sempre maior sobre a identidade feminina. Durante a celebração do centenário da morte de Santa Maria Domingas Mazzarello (1981) realizou-se a 8ª Semana de Espiritualidade Salesiana, cujo tema foi: a mulher no carisma salesiano.
As FMA em dois de seus últimos Capítulos Gerais do final do século XX estudaram dos temas relativos ao assunto. Educar as jovens: contribuição da Filhas de Maria Auxiliadora para uma Nova Evangelização nos diversos contextos sócios culturais. O outro: Comunidades de mulheres radicadas em Cristo chamadas a uma missão educativa inter-cultural para o Terceiro Milênio.
As Irmãs também diretamente interessadas no entendimento correto da valorização da mulher têm em sua Faculdade Auxilium, de Roma um instrumento formidável para o desenvolvimento deste objetivo. Neste sentido realizaram dois Congressos, um em 1988, em Frascatti, perto de Roma: A educação da mulher hoje. O segundo na Itália Central, (Collevalenza, Peruggia), onde debateram o tema: Mulher e humanização da cultura às vésperas do III Milênio. O caminho da educação.
Vê-se, por conseguinte que não só os SDB, mas também as FMA estão interessados em uma maior compreensão do valor da mulher no mundo de hoje. Não poderia ser diferente, já que ambas as Congregações se ocupam e trabalham na educação das gerações juvenis masculinas e femininas que irão viver no mundo de amanhã.
• Complementaridade e reciprocidade.
Não se trata de uma posição de complementaridade da mulher em relação ao homem. Inaceitável esta postura. Ambos são seres criados à imagem e semelhança de Deus (Gen. 26 ss), um colaborando recíproca e alegremente com o outro em igualdade de natureza, liberdade e amizade.
«Hoje a ciência nos conscientiza que a humanidade se concretiza não em uma dicotomia irredutível, mas sim na distinção e na integração do masculino e do feminino, sem que uma destas dimensões possa pretender a exclusividade, a hegemonia ou a superioridade. A antropologia, a biologia e a psicologia mostram, no estado atual o tipo de reciprocidade que existe entre o masculino e o feminino. Como um está presente e age no outro, que influxo um exerce sobre o outro e como um não pode ser compreendido sem o outro».
Os textos acima nos mostram como o humanismo salesiano nas últimas décadas ocupou um novo espaço. Caminhou seguindo o tempo e descobriu que entre a nação dos homens e a nação das mulheres não pode haver diferenças, muros, nem fronteiras, mas reciprocidades, colaboração mútua, liberdade construtiva. Não se pode negar também que as novas atitudes da mulher ajudaram os homens a mudaram seus conceitos, sua mentalidade, inclusive os Salesianos. Seus esquemas mentais, em alguns bem fossilizados, foram modificados, aprenderam a ler melhor os sinais dos tempos e da história, a interpretá-la. Passaram a ler com uma nova ótica a vida social, religiosa, econômica, social. O SDB e a FMA foram forçados pelos tempos a se auto criticarem e auto analisarem. E apareceu um novo mundo, uma nova partilha. Não temos ainda um mundo de todo perfeito, porém mais adaptado à evangelização e à educação dos jovens de ambos os sexos. Às mulheres deve-se agradecer em boa parte esta transformação.
A Igreja em sua tarefa missionária e os SDB/FMA não podem esquecer a contribuição feminina que se encontra além de seus Claustros, Mosteiros ou Institutos religiosos. A Instituição fundada por Cristo ao realizar sua missão salvadora
«tem uma enorme necessidade dos carismas tipicamente femininos, onde a natureza e a graça se integram mutuamente. Com efeito, o mistério da aliança (...) tem uma dimensão feminina de escuta, de acolhimento e de atenção interior, que supera a decisão, o empenho e a organização, tarefas nas quais os homens se comprazem e acham natural que sejam reservadas a eles. As mulheres têm um papel único e sem dúvida determinante na evolução do mundo».
As mulheres têm um grande protagonismo neste terceiro Milênio. Elas, deixando de lado modelos «masculinos ou machistas» têm a responsabilidade de promoverem um «novo feminismo». Atuando e mostrando ao mundo seu verdadeiro gênio feminino, suas características naturais de seu ser mulher estão contribuindo para a criação de um novo mundo, onde homem e mulher serão real e objetivamente colaboradores do Criador na obra redentora do universo. Na sociedade civil, no trabalho elas têm inúmeras oportunidades de tentarem superar as discriminações, as violências, as manipulações da mídia, as chacotas ignóbeis e deslavadas que lhes bombardeiam, perseguem e ferem-nas diuturnamente.
Cito o que escreveu João Paulo II sobre o homem e a mulher na Exortação Apostólica Vita Consecrata e sua missão na Igreja e no mundo.
«A Igreja manifesta plenamente a sua multiforme riqueza espiritual, quando, superadas as discriminações, acolhe como uma verdadeira bênção os dons infundidos por Deus tanto nos homens como nas mulheres, valorizando a todos em sua igual dignidade».
Espero que estas reflexões sobre o Humanismo salesiano sirvam para que a FS possa de um modo mais próximo a D. Bosco e a S. Francisco de Sales desenvolver melhor seu protagonismo junto aos jovens seus destinatários.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

PROJETO DE POS-GRADUAÇÃÓ

ENC: Projeto Simplificado da Pós-graduação em Educação nos Direitos Humanos para Prevenção do uso de Drogas para as Inspetorias SDB e FMA

P. Antenor,
o arquivo foi enviado a todos os endereços do NH. Todavia é bom que você
encaminha para os endereços seus da FS.
P. Diego



-----Mensagem original---
De: Pe.Gilberto [mailto:pe.gilberto@salesianosrec.org.br]
Enviada em: sexta-feira, 20 de agosto de 2010 10:19
Para: 'Recepção ISNEB'
Assunto: Projeto Simplificado da Pós-graduação em Educação nos Direitos
Humanos para Prevenção do uso de Drogas para as Inspetorias SDB e FMA

Caros salesianos/as, diretores/as, párocos, encarregados/as, educadores/as,
membros da Família Salesiana jovens...

Segue em anexo o Projeto Simplificado da Pós-graduação em Educação nos
Direitos Humanos para Prevenção do uso de Drogas para as Inspetorias SDB e
FMA


Pe. Robson Barros (diretor da Faculdade Salesiana, necessita com urgência de
um retorno sob as possíveis inscrições de suas comunidades.

Atenciosamente!

Pe. Gilberto Antonio da Silva (Delegado Pastoral Juvenil e Comunicação
Social

Romaria Salesiana - EQUIPES

“ROMARIA DA FAMÍLIA SALESIANA

TEMA: Maria nos leva a Jesus

JABOATÃO – Colônia Salesiana - 17 de outubro de 2010


EQUIPE RESPONSÁVEIS
1. COMUNICAÇÃO
Equipe de coordenação do evento
2. FORMAÇÃO E SECRETARIA
Pe. Antenor e equipe central
5. ARTÍSTICO-CULTURAL – ANIMAÇÃO
Ex-alunos e Banda Nova Aliança
7. ORNAMENTAÇÃO, ORGANIZAÇÃO DOS ESPAÇOS,...
Capela Nossa Senhora Aparecida - Vila Rica – Jab. Centro e Colônia Salesiana - Jaboatão
8. APOIO E SEGURANÇA DURANTE O EVENTO
Terço dos homens (Bongi e Jaboatão), Ex-alunos, casais, etc.
9. LITURGIA E CELEBRAÇÕES
Pré-noviços
10. COORDENAÇÃO GERAL
Pe. Antenor de Andrade
12. REFEITÓRIO (ALIMENTAÇÃO) Colônia Salesiana - Jaboatão

13. SAÚDE
Carminha e equipe do Curado
14. Direção Espiritual, Confissões, Assistência Presença...
Pe. Antenor e Sacerdotes presentes
15. OUTROS
Equipe de apoio

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

VIDA SUSTENTAVEL

Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos....
Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Passe adiante! Precisamos começar JÁ!
Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro de casa e recebe o exemplo vindo de seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

JORNADA E ROMARIA DA FAMÍLIA SALESIANA

JORNADA DE ESPIRITUALIDADE SALESIANA E ROMARIA DA FAMÍLIA SALESIANA


A equipe de organização da Jornada de Espiritualidade e Romaria da Família Salesiana reuniu-se mais uma vez no sábado, dia 14/08 para dar andamento às atividades relacionadas a estes dois importantes eventos da Família Salesiana.
Sobre a Jornada os trabalhos foram concluídos. Acontecerá nos dias de 24 a 26 de agosto do corrente ano, às 19h00. O local será o Instituto Salesiano de Filosofia, Bongi, Recife. O Padre Fábio José de Farias Leite, SDB, será o palestrante. O tema dessa Jornada é: “A presença de Maria na Família Salesiana”. A ficha de inscrição está disponível no blog da Família Salesiana. Solicitamos que as inscrições sejam feitas com antecedência, possibilitando assim a equipe de trabalho uma melhor organização do evento.

Para a Romaria da Família Salesiana foi feita a organização das equipes, que são:
- Acolhida (Capela Nossa Senhora Aparecida-Vila Rica, Jaboatão).
- Recepção (chegada no Santuário Nossa Senhora Auxiliadora-Colônia).
- Apoio.
- Liturgia,
- Alimentação e Vendas de artigos religiosos.
- Saúde.
Os vários encaminhamentos foram dados para as diferentes dificuldades e questões apresentadas. A equipe se reunirá no próximo dia 28, do corrente mês, a fim de discutir e resolver as pendências e questões necessárias.


Pe. Antenor de Andrade Silva.
Delegado da FS.